Um Loco Divino

Um Loco Divino

Um treinador não é melhor por seus resultados nem por seu estilo, modelo ou identidade. O que tem valor é a profundidade do projeto, os argumentos que o sustentam, o desenvolvimento da ideia. Eu posso valorizar projetos antagônicos. O que nunca poderei substituir são as convicções.

Cabeça baixa, olhar fixo no chão, o rosto como sempre conciso, fechado. A vestimenta tradicional, com a indumentária da seleção chilena (buzo y pantalón azul), segue imóvel com os passos em marcha rumo ao vestiário local do Estádio Nacional de Santiago. Aquele homem, com os óculos no peito e a alma lavada, guardava de forma dissimulada a satisfação de uma vitória conceitual sobre seus críticos, impondo discussões profundas que iriam muito além do campo e bola, do 3-3-1-3, do menotismo, do bilardismo ou de uma latente ferida aberta na dolorosa tarde de junho de 2002. La Roja acabava de bater a Argentina por 1 x 0 no returno das eliminatórias para o Mundial de 2010, com ampla superioridade e a assinatura de um processo que começava a transformar Bielsa em um treinador de culto. Querido em Bilbao, no Chile e em Marselha – lugares onde não ganhou títulos, porém, foi fiel ao seu discurso – com muito trabalho, perfil lúcido e transgressor, modificou o modo de pensar e viver o futebol por onde passou. Fruto de um idealismo convicto, que tem em Gandhi, Che Guevara e Jorge Griffa seus exemplos de vida e conduta. “Não gostaria de ser lembrado, exclusivamente, por ganhar títulos”, disse na coletiva de imprensa após o ouro olímpico em Atenas. Um discurso que parece demagogo, que nos convida a voltar ao Mundial de 2002.

250315_bielsa_allanchaussard_om.net

Na primeira temporada na França, respeito da torcida do Marselha e um quarto lugar na liga local [crédito: Allan Chaussard/om.net]

O que trato fazer na adversidade é fortalecer minhas ideias. Tenho claro que, dentro dos processos negativos, todos te abandonam: os meios de comunicação, o público e os futebolistas. Isso é natural, é próprio da condição humana. Nos aproximamos ao que cheira bem e o sucesso sempre melhora o aroma de quem os protagoniza. Nos afastamos do que cheira mal, e a derrota faz com que sejamos fedorentos.

“Quem é esse cara? Quem caralho é Bielsa? Não ganhou nada. Quando teve que demonstrar na Copa do Mundo, fez as piores cagadas. é o pior técnico dos últimos tempos”, vociferava José Sanfilippo – o maior artilheiro da história do San Lorenzo e centroavante da Argentina na Copa de 1958 – em um programa de televisão após a eliminação contra a Suécia naquele Mundial disputado na Ásia. “O futebol tem como opção que não vença o melhor. Claramente fomos o melhor time do grupo. Merecíamos bater a Suécia folgadamente. Não merecíamos ter perdido contra a Inglaterra e contra a Nigéria, nossa vantagem era para ser maior”, respondeu Bielsa na coletiva em Miyagi. A queda da primeira fase da Copa marcou para sempre a personalidade do treinador, sua relação com a imprensa e alguns conceitos futebolísticos. “Entro no vestiário após o jogo e encontro o treinador arrasado, destruído, chorando desconsoladamente. Nunca havia visto um treinador naquele estado. Nos afetou muito, pois Bielsa com o tempo nos conquistou com seu trabalho árduo. Gostávamos dele” disse Tito Bonano, goleiro reserva da seleção argentina, em entrevista exclusiva para o repórter Marcelo Palacios, da Tyc Sports.

O jornalista Juan Pablo Mendez, do Diário Olé, faz um contraponto do primeiro ciclo de Bielsa na seleção em conversa com a SARRIÁ: “Apoiava Bielsa, pois sempre estou a favor dos técnicos que trabalham duro. O que desaprovo em Bielsa é que ele tem uma única forma de jogar, e isso com ele não se negocia, não possui um plano B, e mesmo quando está vencendo tem dificuldade em matar o jogo e segue sempre atacando. Por isso pagou um alto custo no Olympique de Marselha nas rodadas finais do Campeonato Francês. É sabido que não gosta de meias com pausa em seus times, por isso não quis contar com Riquelme na seleção. No Mundial de 2002, dizem que houve uma grande exigência física e muitos jogadores ‘chave’ não chegaram em plenitude. Verón e Batistuta vinham de lesões, ao passo que Ariel Ortega e Claudio Piojo Lopez estavam em franca queda técnica”.

Com a imprensa argentina a relação foi de amor e ódio, não apenas por elementos futebolísticos fora do padrão nacional, mas talvez por ter acabado com alguns privilégios de jornalistas consagrados que conseguiam notícias e entrevistas exclusivas na era Passarella, como relembra Juan Pablo: “En 1998, ao assumir como técnico da Albiceleste, decidiu que apenas daria conferências oficiais, pois não conseguiria atender a toda demanda jornalística. Isso, Bielsa sempre cumpriu à risca, jamais abrindo exceção para as grandes cadeias televisivas. Explicou certa vez que jamais poderia negar uma entrevista, por exemplo, a uma estação de rádio de uma pequena cidade do interior da Argentina”. Cansado das críticas e da relação pouco afetuosa com os dirigentes da AFA, decidiu sair de cena após o título olímpico, dando início a três anos sabáticos.

Ser o melhor te tira a felicidade, as horas com a tua mulher e com teus amigos. Te tira as festas e a diversão. Vocês queriam comprar tempo, pagariam por fazer isso como qualquer pessoa. O sucesso te tira a possibilidade de ser feliz.

No pequeno vilarejo de Máximo Paz, localizado a 80 km de Rosario, Marcelo Bielsa encontrou seu retiro espiritual, sempre com a bucólica convivência familiar e, obviamente, muita análise de futebol com sua coleção inesgotável de partidas completas. Em seu livro Lo Suficientemente Loco, o jornalista Ariel Senosiain conta essa fissura: “Quando não treina, nem disputa amistosos, Bielsa prepara vídeos para sinalizar a cada jogador os detalhes táticos dos jogos anteriores. Bilardo acumula 6.500 fitas e dizia ser o maior colecionador de partidas de futebol no mundo. Marcelo Bielsa nunca disse a verdadeira quantidade, mas apenas para a Copa do Mundo no Japão levou 7000 fitas, deixando a ideia que viu tudo aquilo nos meses prévios ao Mundial”. Pep Guardiola, antes de assumir o comando do Barcelona B, viajou a Argentina ao lado do cineasta David Trueba para encontrar-se com Cesar Luis Menotti, Ricardo Lavolpe e Marcelo Bielsa. O encontro com Bielsa, em 2006, durou 11 horas, na residência de Máximo Paz, onde Pep perguntou detalhes de seu método de treinamento, assistindo jogos e discutindo futebol. O cineasta espanhol diz que Bielsa, no final da conversa, perguntou a Guardiola: “Você, que conhece todo o lixo que rodeia o mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certa gente, ainda quer meter-se nesse ambiente e ser treinador? Você gosta de sangue?”. Em 2011, Bielsa e Guardiola voltariam a se encontrar na final da Copa do Rei da Espanha. O treinador catalão, na prévia, não tem pudor em afirmar: “Bielsa é o melhor treinador do mundo”. O Barcelona fez 3 a 0 no Atlhetic Bilbao, configurando o segundo revés do clube basco em finais naquela temporada.

calderon_bielsa_athletic2

“Bielsa é o melhor treinador do mundo”, ouviu do rival Guardiola antes de perder, com o Bilbao, uma final para o Barcelona [crédito: divulgação Athletic Bilbao]

Admitir que temos que variar as ferramentas exige tolerar a diminuição da autoestima, que no meu caso estava superdimensionada na valorização externa que faziam do meu trabalho, e eu sempre soube que era medíocre. Quero dizer que não é uma novidade para mim que muitos dos métodos que utilizo não produzem o efeito desejado.

“Ninguém é profeta em sua terra” e assim como nos dizeres bíblicos, Bielsa, por não seguir o toco y me voy menotista, tampouco a mecanização e o “ganhar a todo custo” de Carlos Bilardo, foi sempre resistido pela ala mais conservadora da Argentina. “Pretendo que os jogadores sejam argentinos para driblar e europeus para se desmarcar”, diria Bielsa, resumindo uma forma de enxergar o jogo que vai além da escola argentina, com a clara influência do futebol total holandês, traduzido nas pranchetas de suas equipes com o vertiginoso 3-3-1-3 de pressão e troca de posição constante. “No Chile aprendi o que é ser querido”, assumiria ao final de seu ciclo do outro lado da cordilheira, totalmente identificado com a idiossincrasia chilena e o respeito adquirido por seu trabalho. Em uma das suas últimas conferências como técnico de La Roja, um jornalista perguntou: “Em 1990, quando o Newell’s foi campeão, você foi visto em cima de um torcedor, com a camiseta do Newell’s gritando ‘Newell’s Carajo‘. Levando em conta o carinho que tens do povo chileno, veremos alguma vez você gritar Chile Carajo?” Bielsa, genialmente, em sua melhor resposta, abriu seu coração leproso como nunca visto antes: “Tenho a antipática obrigação de ser sincero, seguramente não haverá outra camiseta que ame mais do que a do Newell’s”.

O modernismo no futebol foi implantado por Arrigo Sacchi no Milan. A pressão constante com uma agressividade permanente de quem sabe e se sente protagonista. Newell’s foi uma bela prova para a Argentina. Arriscou, buscou sempre o erro do adversário e não se enganou. Foi campeão.

Uma paixão pintada em rojinegro que começa na infância, quando é levado por um tio leproso ao estádio do Newell’s, no Parque Independencia, que fica a poucas quadras da residência da família Bielsa, localizada na rua Moreno, altura do número 2300. O pai de Marcelo, um advogado reconhecido na cidade, não gostava de futebol, porém, simpatizava com o Rosario Central. Torcer pelo Newell’s era um sentimento compartido por seu irmão Rafael, hoje importante aliado político de Cristina Kirchner na coalizão Frente Para La Victoria, onde foi ministro das Relações Exteriores e candidato a governador da Província de Santa Fé em 2007. Em 1977, Rafael Bielsa acabou preso e posteriormente exilado, por sua ligação com os Montoneros na luta contra a ditadura militar – que teve início na Argentina no ano anterior. Marcelo, nessa época, já havia deixado a casa dos pais, em uma atitude transgressora para uma família marcada pela tradição política e jurídica em Rosario. Seu irmão Rafael reflete sobre a paixão de seu irmão famoso, explicando seu apelido no livro Cien años de vida en Rojo y Negro: “A todos da família nos dizem ‘loco‘. Neste país chamamos assim a quem não transita no mesmo caminho dos demais. Somos ‘locos‘ na profissão que escolhemos, e foi assim, dentro do futebol, que Marcelo encontrou a maneira que gosta de transcorrer a vida”.

Marcelo se instala no centro de treinamento do Newell’s, realizando o sonho de infância ao formar-se um zagueiro central de pouco predicado técnico. A carreira profissional foi curta no time de seus amores: apenas três jogos oficiais. Rodou por equipes menores, até encerrar a carreira em 1980, graças a uma lesão e à pouca continuidade no Central Córdoba. Sem resignar ao destino, adquire uma banca de jornal, estuda Educação Física, até finalmente realizar seu segundo objetivo e tornar-se diretor técnico. A primeira chance vem com o time da Universidade de Buenos Aires. Em 1982, ao regressar a Rosario, pede uma chance a seu mestre Jorge Griffa, coordenador das divisões menores do Newell’s. Griffa dá a Bielsa a oportunidade de trabalhar com a sexta divisão do clube rojinegro. Numa aventura atroz, percorre o interior da Argentina – aproximadamente 25.000km em cinco etapas – com seu Fiat 147 buscando jovens talentos entre 14 e 15 anos. Entre os garotos pinçados estavam Eduardo Berizzo, Ricardo Lunari e Mauricio Pochettino. Dessa forma começava a ser formado o mais exitoso time da história do NOB.

Bielsa assume o time principal no final de 1989 respaldado pelos excelentes resultados com o time juvenil. Aquela geração – dos nascidos entre 1969-72 – tinha, além dos já citados Lunari e Pochettino, figuras como Gamboa, Raggio e Berti. Assim, coube a Bielsa mesclar seus pupilos com a base do elenco campeão de 1987-88, aquele sob o comando de José Yudica. O goleiro Scoponi, o volante Llop e o meia Tata Martino faziam parte do time que além do título citado chegou à final da Copa Libertadores em 88. O 4-3-3, esquema emblema na história leprosa, foi mantido. Bielsa já plasmava a sua ideia de pressão constante e ímpeto voraz pelos lados do campo. Berizzo e Saldaña tinham grande projeção, por isso Llop ficava na contenção, quase como líbero, protegendo a jovem e promissora dupla de zaga formada por Gamboa e Pochettino. Martino e Dario Franco eram os condutores, enquanto Julio Zamora e Ruffini davam profundidade pela pontas, servindo o recém contratado Ariel Boldrini. Timaço, com jogadores multifunção e grande mentalidade vencedora. O Clássico de Rosario foi coronário, configurando o estopim para a arrancada. Um 4×3 em pleno Arroyito com um Newell’s furioso. Começava o caminho para a glória. Na última rodada, um empate contra o San Lorenzo no estádio do Ferro Carril Oeste deu o título nacional ao quadro rojinegro. Com o jogo encerrado em Caballito e a vantagem conservada em apenas um ponto, sobrava esperar o desenlace do confronto do River de Passarella, seu fiel perseguidor, que parava nas mãos de Pato Fillol, então arqueiro fortinero. O gol de Gareca para o Vélez, nos últimos minutos, definia o Apertura, calando o Monumental. A conquista foi sintetizada com o grito eterno de Bielsa: “Newell’s Carajo, Newell’s Carajo!”. No ano seguinte, unificaria o título da temporada ao bater o Boca nos pênaltis em La Bombonera.

reproducao_revista_bilbao

Reportagem na revista do Athletic, na chegada de Bielsa, com destaque para um mantra do argentino [crédito: reprodução]

O toque de bola e o jogo vistoso sempre foram os símbolos históricos do Newell’s. Bielsa foi além na sua segunda temporada, implementando sua filosofia de intensidade e verticalização. Em 1992, nascia o esquema 3-3-1-3. Lllop foi recuado para a zaga e Gamboa tornou-se líbero; Pochettino completava o tridente defensivo. Eduardo Toto Berizzo foi puxado para a função de primeiro volante, ao passo que Julio Cesar Saldaña e Alfredo Berti fechavam a linha do meio-campo. Gerardo Tata Martino, no último tramo de sua carreira, ficava liberado como meia de ligação, fechando o losango. No ataque, toda a volúpia e troca de posição intensa entre os ponteiros Zamora e Mendoza. Cristian Domizzi era a referência de área. Essa grande equipe revolucionou o futebol argentino, levando o Clausura daquele ano com fúria de gol. O clássico contra o Central foi um passeio: 4 a 0, com show do Pájaro Domizzi.

A conquista foi consumada contra o Platense em Vicente Lopez, naquele que seria o último jogo de Bielsa. Antes disso, o trago amargo no Morumbi e a derrota na decisão da Libertadores frente ao São Paulo de Telê Santana “Temos que reconstruir uma sensação, algo muito profundo: remeter aos 14 anos, quando no bairro jogávamos contra aqueles rivais que tínhamos bronca e não nos importava nem o lugar, nem a hora, nem nada. O único que nos importava era jogar”, foram suas últimas palavras no túnel, como revela a reportagem La Noche de las Mil y uma Lagrimas, da revista El Gráfico, sobre aquela decisão: “Perdemos porque eles foram melhores, e não por algo que faltou ao Newell’s. Esse plantel tem uma coragem indiscutível. Ninguém poderá dizer que somos aburguesados. Estes rapazes vivem de cada metro, cada dividida. Um time de esforçados, não de cômodos. Estou destruído, mas creio que dos grandes fracassos se conseguem os pequenos triunfos”.

calderon_bielsa_athletic4

Bielsa, o mais loco [crédito: divulgação Athletic Bilbao]

Você viu que o mundo do futebol cada vez se parece menos com o do torcedor e mais com o do empresário? Os empresários que se apossaram do futebol acreditam que os torcedores são iguais aos 30.000 operários que seguem trabalhando pra eles. O mundo do futebol, assim como no resto do mundo, é dos empresários, e os empresários nos tratam apenas em função da produtividade de que somos capazes.

O desprezo aos políticos, empresários e presidentes de federações está marcado não só no discurso, como em muitos episódios da carreira de Bielsa. O caso mais famoso foi com o então presidente do Chile, Sebastián Piñera, a quem El Loco tentou evitar o aperto de mão em duas oportunidades; a mais recordada no Palácio de La Moneda no retorno da seleção, após a aceitável participação no Mundial disputado na África do Sul. Com Julio Grondona, a relação foi áspera no início de sua passagem pelo selecionado albiceleste em 1998. O finado presidente da AFA foi convencido por José Pekerman, então diretor geral de seleções, a ceder o cargo de treinador a Marcelo. Grondona tinha a clara preferência por Carlos Bianchi e, logo no começo do ciclo, Bielsa deixou Batistuta de fora das primeiras listas, causando a ira do mandatário, pois o Batigol era justamente o garoto propaganda da Reebok, fornecedora oficial e dona de um contrato milionário com a seleção argentina. Ariel Senosiain relata o testemunho de Héctor Dominguez, ex-tesoureiro da AFA: “As discussões entre Bielsa e Grondona chegavam ao limite e eu tinha que mediar, pois Grondona não entende Bielsa e Bielsa não entende Grondona. São dois caras muito diferentes, porém, parecidos em um ponto: são dois cabeças dura”.

No final, apesar do trato pouco cordial, Grondona respaldou Bielsa por seu trabalho meticuloso nas instalações de Ezeiza. As preleções vistas pelo mandatário, onde o treinador dava uma aula sobre os rivais e de planejamento de jogo, impressionavam Grondona, que passou a respeitá-lo, apesar do lado arredio. Mesmo com o fracasso em 2002, Grondona acabaria ampliando seu contrato por mais 4 anos. “Foi o melhor técnico que tive à frente da seleção”, diria Don Julio.

No começo desta temporada, Bielsa decidiu assumir o Olympique de Marselha, que vivia grave crise esportiva. No ano anterior, a equipe mais popular da França terminou a Ligue 1 em sexto lugar, fora das competições europeias e 29 pontos atrás do flamante campeão e arquirrival PSG. Bielsa não ganhou nenhuma contratação de peso, como combinado em sua chegada. Ao seu estilo, franco e visceral, El Loco não poupou críticas a Vincent Labrune, presidente do Olympique, em coletiva de imprensa que constrangeu a assessora de imprensa e seu tradutor pessoal: “O resultado deste mercado de transferências é negativo. Acho que o presidente fez promessas que sabia que não poderia cumprir. Se isso fosse dito antes, eu teria aceitado, mas por outro lado tenho um sentimento de revolta”, esbravejava o argentino.

Tendo em vista as fragilidades defensivas e o elenco enxuto, Bielsa decidiu não implementar o 3-3-1-3, sua marca registrada, nos primeiros meses. No 4-2-3-1, conservador para seus padrões, o Marselha alcançou o título de inverno, graças aos gols de Andre Gignac e alta intensidade de pressão em campo rival. A dupla de volantes foi composta por Romao e Imbula. Após os resultados adversos, o PSG e o Lyon ultrapassaram a equipe nas primeiras rodadas de 2015, assim como o Monaco, com quem o Olympique brigou pela última vaga na Liga dos Campeões até a rodada final da Ligue 1 – acabou ficando com a quarta posição e um lugar na Liga Europa.

Hoje, Bielsa é pop. Batiza o estádio do seu clube de coração, fato que ele mesmo classifica como a maior honra: “No Newell’s vivi minhas maiores alegrias. A homenagem é exagerada”. Algo impensado para um sujeito introspectivo, de pouco carisma e oriundo de uma família aristocrática de Rosario. No entanto, Bielsa está por todas as partes, seja nas bandeiras da curva norte do estádio Vélodrome – No te vayas Bielsa! – ou representado por Mauricio Pochettino, Toto Berizzo e Jorge Sampaoli nas grandes competições do futebol mundial com o selo do bielsismo marcado a ferro e fogo.

*Os parágrafos destacados em itálico são trechos de declarações do próprio Marcelo Bielsa.

2 comentários

Outras Postagens



Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios

Cancelar resposta

2 Comentários

  • Vitor
    27 de junho de 2015, 12:02

    Ótima reportagem. Excelente revista.

    RESPONDER
  • Rodrigo Blini
    11 de julho de 2015, 17:30

    Texto belíssimo de um estilo, o único ainda apaixonante do mundo da bola. Espelho pra Guardiola, só isso basta!

    RESPONDER